Assessoria de Imprensa

“Estamos no caminho, mas ainda faltam muitas melhorias”, afirmam 64% dos pais de autistas em estudo inédito sobre educação e inclusão no Brasil

Segundo um relatório inédito feito pelo IEAC, disseminação de informação e cumprimento das leis são principais soluções enxergada pelos participantes; Instituto ouviu mais de 600 famílias de crianças dentro do espectro autista

Abril é conhecido com o Mês Mundial da Conscientização do Autismo e, apesar de todos os avanços nos últimos anos, ainda há muito o que precisa ser melhorado. É o que mostra um estudo brasileiro realizado pelo Instituto de Educação e Análise do Comportamento (IEAC), com mais de 600 participantes em todo o Brasil.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que há 70 milhões de autistas em todo o mundo, sendo 2 milhões de diagnosticados só no Brasil. Esse número, porém, poderá sofrer alterações com a inserção dos autistas no Censo do IBGE 2020, que , entre outros feitos, tratá mais esclarecimentos sobre esses dados.

A pesquisa do IEAC, que entrevistou pais e responsáveis de crianças e adolescentes autistas, mostrou que, mesmo com o crescimento de políticas e leis em prol da inclusão e defesa dos direitos, a maior parcela de pais otimistas (64%) acredita que ainda faltam melhorias. Enquanto isso,  (31%) dos participantes não veem qualquer progresso, tampouco estão otimistas com o futuro.

A análise revelou que a maior parte dessas famílias estão inseridas na classe D e possuem uma renda familiar mensal de até R$1874,00. Além disso, 68% responderam que os filhos estão na rede pública de ensino, sendo a maioria deles matriculados na educação infantil e no ensino fundamental.

Ensino e inclusão

Com relação a qualidade do ensino e inclusão dos filhos na escola, os pais atribuíram notas mínimas e médias para todos os sistemas de ensino, incluindo a escola especial. Dessa forma, nenhum sistema garantiu pontuação máxima nessas duas categorias, o que demonstra uma defasagem na educação.

Quanto a performance da Escola Pública, 18,7% dos entrevistados atribuiu nota 5 na escala de 0 a 10, enquanto 14, 6%, atribui a nota 0. Com relação a Particular, 19,6% também deu nota 5, em contrapartida que 19,3% atribuiu nota 0. Já quanto a Escola Especial, 21,5% concedeu nota 5, enquanto 11,9% deu nota 0. Finalmente com relação a qualidade de ensino e inclusão no Ensino Domiciliar, 21,3% atribuiu nota 5, em compensação que 24,1% dos participantes conferiu nota 0.

Preconceito 

A desinformação e preconceito são alguns dos principais problemas enfrentados por portadores de necessidades físicas e intelectuais no Brasil. Diferente de outros transtornos, pode-se dizer que o preconceito às pessoas com autismo está mais associado ao comportamento do que quanto a aparência. Isso porque o Transtorno do Espectro Autista (TEA) engloba diferentes tipos de atrasos, que provocam diversos tipos de comportamentos que podem chegar em alguns casos mais severos a comportamentos agressivos por parte da pessoa com TEA.

De acordo com a pesquisa do Instituto, mais da metade (55,1%) dos participantes assumiu que o filho(a) já sofreu algum tipo de preconceito na escola, em contrapartida que 44,9% respondeu nunca ter vivenciado essa situação com o filho no ambiente de ensino. Da mesma forma, (55,1%) dos participantes disseram ter encontrado dificuldades para obter informações seguras na época que obtiveram o diagnóstico da criança.

A informação, inclusive, é a principal bandeira levantada no Mês da Conscientização sobre o Autismo, com o qual empresas, governos e instituições sem fins lucrativos no mundo todo criam campanhas para esclarecer mitos e orientar as pessoas sobre o transtorno.

A associação da informação com o cumprimento das leis no Brasil é, inclusive, o caminho mais apontado, segundo a maioria das justificativas no estudo, para a solução dos problemas enfrentados pelas pessoas com necessidades físicas e intelectuais. Desses pais, (57%) ainda assumiram fazer parte de grupos e fóruns independentes de apoio, que, entre outras atividades, envolvem o partilhamento de informações e experiências sobre a rotina diária com os filhos autistas.
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